A dádiva do leite materno

Com doações de leite de mulheres lactantes, os bancos de leite humano são uma tábua de salvação para recém-nascidos vulneráveis
por Elly Fishman
O céu de Manila, capital das Filipinas, escureceu na manhã de 2013 em que o tufão Haiyan atingiu a costa. No Hospital Memorial Dr. Jose Fabella, em Manila, os telefones começaram a tocar incessantemente. A Dra. Estrella "Star" Jusi, então responsável pelo banco de leite humano do hospital — um dos primeiros do país —, atendia chamada após chamada sobre as reservas de leite materno. A cidade de Tacloban tinha sido devastada por um dos tufões mais destrutivos de que há registo, deixando a região sem eletricidade e com graves falhas no abastecimento de água. Os recém-nascidos internados nas unidades de cuidados intensivos neonatais, sobretudo os mais frágeis e de baixo peso, encontravam-se numa situação crítica.
O Departamento da Saúde precisava urgentemente de leite humano e Jusi entrou imediatamente em ação, contactando bancos de leite de várias regiões das Filipinas para reunir todas as reservas disponíveis. As caixas isotérmicas foram preparadas e identificadas, mas, com as estradas intransitáveis e os voos comerciais suspensos, foi necessário recorrer às forças armadas. Jusi conseguiu assegurar espaço numa aeronave militar para transportar o leite.
Um neonatologista da sua equipa voluntariou-se para acompanhar o leite congelado durante toda a viagem. No final, foram entregues 86 litros de leite humano pasteurizado — um recurso essencial para a sobrevivência de bebés que não tinham outra fonte de alimentação
