Cuidar sem Fronteiras - Jennifer Jones (Agosto/26)
02-08-2026

Enquanto estou sentada ao lado do meu pai no hospital, a ouvir o ritmo discreto das máquinas que agora falam com maior regularidade do que a sua própria voz, a vida parece reduzida ao essencial. Uma doença grave tem esse efeito. Revela aquilo que realmente importa e recorda-nos, por vezes com suavidade, outras vezes de forma dolorosa, o que deveria importar a todos nós.
O meu pai enfrenta um cancro em estado avançado. O caminho é irregular e muitas vezes cruel. Mesmo neste momento tão difícil, uma verdade simples torna-se evidente: todas as pessoas, em qualquer lugar, merecem ter acesso a cuidados que respeitem a sua dignidade. O tratamento deve ser acompanhado de compaixão. A medicina deve trazer também a certeza de que cada vida tem valor.
Ao observar os enfermeiros a trabalhar, com uma serenidade adquirida através da experiência, e os médicos a oferecerem honestidade e esperança, penso nos milhões de pessoas que nunca terão este nível de apoio. A desigualdade no acesso aos cuidados de saúde continua presente entre países e comunidades, embora todas as vidas tenham o mesmo valor. Este é um argumento humano, acima de qualquer debate político.
Todas as famílias merecem a mesma oportunidade de cura. Ao longo dos meus anos no Rotary, compreendi que a The Rotary Foundation mostra como esta convicção é partilhada por diferentes culturas e nações.
O financiamento internacional destinado à prevenção e ao tratamento de doenças está a diminuir, colocando em risco a continuidade de projetos de saúde indispensáveis. A nossa Fundação, juntamente convosco, os nossos membros, assegura o apoio estável e sustentado pelas comunidades que permite preservar esse trabalho.
Estamos a financiar vacinas no Paquistão, a formar profissionais de saúde em Moçambique e a reforçar sistemas de saúde frágeis na Guatemala. Através da Fundação, a cooperação internacional ganha forma concreta.
É uma responsabilidade que podemos cumprir quando as pessoas escolhem agir com generosidade, espírito de parceria e humanidade partilhada. Sinto um enorme orgulho na liderança que exercemos em conjunto.
Sentada aqui, com a mão do meu pai entre as minhas enquanto ele adormece e desperta, recordo como a vida é frágil e preciosa. A justiça de uma sociedade mede-se pela forma firme como protege as pessoas mais vulneráveis, e não pela sua riqueza ou pelo seu poder.
A luta do meu pai é pessoal. A luta por cuidados de saúde equitativos e compassivos, que reconheçam igual valor a todas as vidas, é universal. Pertence a todos nós. Através da vossa generosidade, do vosso compromisso com a nossa Fundação e do gesto simples de cuidar para além das fronteiras, aproximamo-nos de um mundo onde todas as pessoas recebem o apoio de que necessitam.

